sexta-feira, 3 de julho de 2009

Vem de Aruanda



Agô meu Pai Benedito.

"...Um dia fui tirado de minha terra e trazido pra cá. Já estava velho e não servia muito pro trabalho na "roça" e me puzeram pra passar a arupemba num riozinho barrento pra tirar metal precioso pros donos das terras.
Já estava cansado pela idade e o Barão, o dono da Casa Grande, me pôs num lugar que servia pros animais da fazenda descançarem, pra que eu tomasse conta dos filhos da "negaiada". Eu e minha filha Maria, tomávamos conta das crianças para que seus pais fossem ao trabalho.
Um certo dia, o filho do Brarão foi picado por uma cobra e eu mais que depressa passei remédio e orei a Zambi pra curar este menino. Graças à Aruanda ele foi curado e comom gratidão, o Barão me deu um carroção.
Nas tardes, eu "punhava" as crianças no carroçao e íamos, mais minha filha, passeando pelas terras do Barão.
Foi num dia desses que o burrinho que puxava o carro se assustou e derrubou minha fila lá cima. A roda do carroção passou por cima dela e assim foi "a oló". Fique muito triste na época e hoje eu posso dizer que ela trabalha comigo na "banda" como Tia Maria de Angola.
O tempo se passou. Depois de algum tempo, eu estava caminhando pelo "passiadô" e senti um cansaço forte. Olhei em volta e vi uma árvore muito grande e acolhedora. Me ajeitei entra as raízes dela e dormi. Dormi pra este mundo e acordei noutro. Estava na Aruanda."


Este pedaço da vida de Pai Benedito foi relatado por ele mesmo, incorporado em seu filho, durante os trabalhos de Pretos-Velhos no T.U.E. Oxalá. Sempre que tem oportunidade, ele nos conta esta e outras passagem da vida dela na terra.

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